sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Poema Ser

“To be, or not to be: that is the question”
William Shakespeare

Quem eu sou? Fica a pergunta. Sou uma interrogação. Sou o que quero e o que não quero ser. Sou aquele que inventa e re-inventa a vida. Sou aquele que abre e fecha os caminhos. Sou eu quem faço e desfaço meu destino. Sou eu quem escreve e lê a própria sorte. Sou aquele que constrói e destrói edificações e fundamentos. Sou aquele que nas velas sopra os ventos. Sou aquele que forma, desforma e transforma. Vou para muito além da forma. Sou mutação e metamorfose. Sou o movimento e sou a mudança. Sou inteiro e dividido. Sou meio cheio e meio vazio. Sou a terceira margem do rio. Sou aquele que transborda para dentro e para fora. Sou aquele que tece e destece feito as tramas de Penélope. Sou a linha e a agulha. Sou o bordado e sou quem borda. Sou aquele que sorri e chora. Sou um dos clowns de Shakespeare. Sou flaneur de Baudelaire. Sou aquele que arrisca, rabisca e risca. Sou artista. Sou aquele que traço, des-traço, contorno e entorno. Sou aquele que faz e des-faz. Sou aquele que luta e defende. Sou guerreiro. Soldado de Tebas. Sou umbigo e ambíguo. Sou antigo e pré-histórico. Sou terreno e extraterreno. Natural e sobrenatural. Sou tão certo e contraditório que chego a duvidar da certeza que sou. Sou tão confiante na desconfiança que sinto. Acredito e desacredito em mim e no que vejo, pois às vezes me engano e me engana o olhar. Ver é tão limitado que não me basta, preciso sentir. Enganado e desenganado pela verdade. Sou único, primeiro e singular, mas não deixo de ser plural e múltiplo: sou muitos, sou vários. Vou do zero ao infinito. Sou enorme, sou forte, grande do tamanho de um grão de areia. Sou majestoso, sou rei do meu mundo, do mundo que criei e carrego nas costas: sou Atlas. Mas sou plebeu do Universo, uno-me ao verso. Sou verso único, sou único verso. Sou cara, sou coroa, os dois lados da moeda. Sou o reverso e perverso. Sou poema de estrofes, versos e rimas. Sou poesia, sem deixar de ser prosa. Sou lírico, sou romântico, sou épico, sou poético, sou romancista, sou realista, sou modernista, sou poeta,  mas não sou moralista. Sou machadiano, sou clariciano, sou bandeira, sou pessoa. Sou pessoa? Sou bicho também. Sou kafkaniano por excelência, ou de preferência: sou absurdo. Sou a lei, a ordem, ao mesmo tempo, sou o caos e a desordem. Sou o elogio à loucura, mas não sou o homem lobo do homem nem em noite de lua cheia. Sou fera, moro entre elas, sendo inevitável: sinto necessidade de ser a fera das feras. Sou belo. Sou selvagem, e civilizado, pacato, educado. E dentro de mim há um tornado, no meu peito se faz um vendaval. Sou a tempestade. Sou a noite e também o dia. E vivo a triste alegria de sofrer e a melancólica felicidade de viver. Sou insatisfeito de satisfação. Às vezes, sofro rindo, e às vezes, gargalhando sofro. Não sei se passo, não sei se fico. E sou feliz pelo desgosto e infeliz pelo gosto que sinto. Não sei se prefiro doce ou salgado, o amargo, ou o picante, que não é um sabor, mas uma sensação – de desconforto? Ai! por que a dor me causa prazer e, às vezes, o prazer me causa dor? Não tenho respostas, só perguntas para aquilo que penso que sou. Nem ao menos sei se existo, e se existo como provar a minha existência? Pensar seria a solução? O que veio antes o ovo ou galinha? o sentimento ou o pensamento? Sou minha própria vontade? Queria ser eu dono das minhas vontades. Gostaria de criar um idioma em que só eu conheceria os signos. Daí eu seria um significante uno a um significado meu. Sou inextrincável a mim. Sou um absoluto incompleto. Sou um paradoxo no Universo. Sou uma metáfora na vida. Metonímia nas emoções. Sou o que penso, ajo ou o que sinto? Sou feio ou sou bonito? De que ângulo, ponto de vista, filosofia e religião? Depende. Eu sou cheio de interrogações. Por isso, não sobra tempo para pensar em quem eu sou, viver ocupa todo o meu tempo.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Na incerteza de amar


Eu não sei se eu te amo
Eu não sei se eu te odeio
Sei que sinto um desejo
Enorme de te reencontrar
Só para conversar, contar:
Que o maior dos sentimentos
Mudou a direção dos ventos
Que sopram sobre o alto-mar
De desventuras a minha vida
Também meu ponto de vista,
Que já não mais será o mesmo
Sei apenas do sentido desejo
Que tão cedo não morrerás
Ou cessarás por completo
Nem se o mundo faça deserto
É o meu Amor, o mais incerto!

sábado, 28 de agosto de 2010

Irracional

Sentimentos não são fáceis,
as relações menos ainda.
E para lidar com os conflitos
racionalizamos o que sentimos.
Mas como racionalizar o que é
irracional por excelência? (!!!)

Amor que nos move

O amor paralisa (?)
Mas não a mim
Ele, sobretudo, dá
Movimento

Movimento que faz
Nascer, brotar
Flores e palavras

Movimento que faz
Brilhar céu de estrelas,
E silêncios...

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Endereçada à alguém

Quero abrir o meu coração, pois meu sentimento por ti é tão forte que, ou explodo, ou enfarto, ou sufoco. Gostaria poder falar pessoalmente, mas este é o meio do qual disponho. E essas palavras, mais do que enfeites ou decorações, são sinceras e honestas; são de coração - tradução fiel do que sinto. Quero dizer que você é especial. E não digo para a sua vaidade, mas porque em pouco tempo conseguiu fazer com que eu me apaixonasse com tanta força e intensidade; do contrário teria esquecido e seguido em frente. Mas é você! Meu sentimento por ti é especial, e cresce a cada dia. Eu transbordo afeto e paixão. Peço perdão, por tudo, até pelo que sinto. Não quero, e nunca quis que restasse a mágoa. Meu erro é ser humano, humano até demais. Choro, comovo-me, desespero-me, faço bobagens, amo demais e muito, etc. Desajeitado e desastrado que sou, derrubo as coisas, quebro-as, e depois tento consertá-las, colá-las. Alguns usam do clichê e dizem “quando alguma coisa se parte e tentamos colá-la, nunca volta a ser a mesma”. Claro! E o que dizer dos mosaicos ou da colcha de retalhos da vovó. Ambos utilizam sobras (cacos de coisas). Imagine esses materiais sendo descartados no lixo? RECICLAGEM. Gosto muito dessa palavra. Como numa lição em que erramos, apagamos e tentamos re-escrever da maneira correta. Ou, o melhor seria não apagarmos e ainda destacar para não nos esquecermos dele, tentar de novo e continuar a lição. Já que o mundo é um mundo de pos-si-bi-li-da-des. Por isso acredito em um mundo mais tolerante. Acredito em um mundo mais humano. Acredito no perdão. Minha proposta é que conservemos os grãos. Conservemos as sementes do nosso sentimento, plantemos e cuidemos para que cresça mais forte o nosso amor. Não desperdicemos algo tão precioso. O que não falta, e nunca faltou, é vontade de felicidade. Porque merecemos. Porque fomos feitos um para o outro. Deixa-me, então, mostrar o quanto maravilhoso eu posso ser. E sou! (não é falta de modéstia, mas estou longe de ser superficial, ao contrário tenho profundidade). Tenho defeitos muitos, todavia qualidades extraordinárias que vão além das aparências. Qualidades que são reveladas no dia a dia. Se tivesse que me definir geometricamente: definiria-me como um círculo. Símbolo da eternidade, o círculo não tem começo nem fim, encarnando o movimento de rodas e engrenagens que nos impulsionam para frente, gira e nos movimenta. O círculo assume os conceitos de re-novação, re-invenção, re-inteiração, re-ciclagem e re-começo. Peço para nós um re-começo, pois não à-toa o nosso planeta é uma esfera. Pense nisso!

Existem momentos

"Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la."
Clarice Lispector




Há momentos que sentimos tanto a falta de alguém...
...e porque será que existem esses momentos?


Porque não imagino dividindo a vida com alguém, senão você...
Porque não me vejo em lugares com outra companhia, senão sua...
Porque não sei onde vou morar, senão em nossa casa...
Porque não imagino alguém ao meu lado, senão você...
Porque não desejo alguém tanto, quanto desejo você...
Porque não farei passeios ao zoológico, parques, museus, etc; senão com você...
Porque não imagino ir à exposições e teatros, senão com você...
Porque quando ouço “Entreolhares”, não lembro de mais ninguém, senão você...
Porque quando leio “Soneto de fidelidade”, não tem como não lembrar de você...
Porque eu não quero namorar ninguém que não seja você...
Porque o meu primeiro e último pensamento do dia é de ninguém menos, senão de você...


…e porque eu me imagino o tempo todo estando junto a você. Só por isso!

Votos

Eu prometo (se você quiser) te receber,
prometo ser fiel, amar e respeitar
na alegria e na tristeza,
na saúde e na doença,
na riqueza e na pobreza,
nas palavras e no silêncio,
faça sol ou faça chuva
por todos os dias de minha vida...

Eu prometo, ao seu lado, construir e edificar, somar e multiplicar.
Eu prometo ajudar naquilo que for preciso.
Eu prometo dividir o que tenho, o meu dom e aquilo que tenho de bom, contigo.
Eu prometo te alimentar de fé e esperança, e iluminar com otimismo quando a escuridão do pessimismo se aproximar.
Eu prometo chamar a atenção e passar a mão em sua cabeça quando for necessário.
Eu prometo os meus melhores beijos e carinhos, e me entregar como nunca me entreguei a ninguém.
Eu prometo estar ao seu lado no momento em que você mais precise, mesmo que seja só em pensamento.
Eu prometo cozinhar e lavar a louça, mas você terá que lavar e passar as roupas.
Eu prometo não fazer promessas que não posso cumprir.
Eu prometo fazer o impossível, mesmo sabendo que impossível fazer.
Eu prometo te animar e encorajar quando estiver para baixo e triste.
Eu prometo arrancar um sorriso seu, mesmo que para isso seja preciso me vestir de palhaço e bancar o ridículo.
Eu prometo alimentar os seus sonhos e dar asas a sua imaginação, e prometo voar ao teu lado por entre as nuvens.
Eu prometo te agradar, mesmo sabendo que não agradarei sempre.
Eu prometo um futuro, mesmo sabendo que ele é um mistério.
Eu prometo te amar como nenhum outro te amou ou amará, e prometo só ter olhos para ti.
Eu prometo, mas com uma condição, que você me ajude sempre a cumprir...

até que algo mais forte que o amor nos separe.