Meu dia começou ruim:
Ameaçou desabar a tempestade.
Mas, no fim da tarde,
Encontrei abrigo.
Alguém prometeu estender
O guarda-chuva
Oferecendo a mim ajuda...
“O que está acontecendo?
Eu disse nunca mais,
Mas nunca mais
Nunca é nunca mais,
Apenas por enquanto...”
Estou dando um tempo,
Mas vem chegando a Primavera
E as flores ameaçam florescer,
E eu, contra a força da Natureza
Nada posso fazer...
Enfim, acho que mereço
Dias de brisas leves
E perfumes adocicados,
Dias quentes e claros,
Como só os dias de Primavera
Sabem ser
Palavras são como espelhos, na escrita refletem o que está dentro e fora de mim, no mundo real ou no meu imaginário. Aqui tento dar visibilidade ao oculto. E trazer à superfície a face anônima das imagens refletidas.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Oriente
Duas mãos – o Tempo e o Vento –
A nos atravessar. Desvendemos
No mesmo gesto e movimento
Erguem-se, mas não as vemos
Fosse a hora de lançar um dado
Devagar, rápido, leve ou forte, segue a mão
Se o Tempo passa, de um lado,
Do outro, sopra o Vento na mesma direção
Fosse o Acaso, ou o Vento, ou o Tempo
Divinas mãos erguidas cobertas pelo véu
Invisível, para nós, ritmo secreto e lento
Não para o Oriente – olho divino no céu
A nos atravessar. Desvendemos
No mesmo gesto e movimento
Erguem-se, mas não as vemos
Fosse a hora de lançar um dado
Devagar, rápido, leve ou forte, segue a mão
Se o Tempo passa, de um lado,
Do outro, sopra o Vento na mesma direção
Fosse o Acaso, ou o Vento, ou o Tempo
Divinas mãos erguidas cobertas pelo véu
Invisível, para nós, ritmo secreto e lento
Não para o Oriente – olho divino no céu
terça-feira, 12 de julho de 2011
Na alma uma ferida aberta, grande demais...
Estava eu no ônibus lendo “A Bela e a Fera”, conto de, minha querida, Clarice Lispector. E de soer pensando na Vida. Quando um homem entra de muletas: Uma perna amputada. Um ferimento. Fechado e enfaixado. Foi deste modo que descobri minha ferida, grande demais, ainda, e acima de tudo, aberta. Sangrando em lágrimas...
Trem Bom
Café e pão
Café é bom
Não sei rezar
Mas sei comer
Só sei pitar
Apitar
Palpitar
O coração
Café é bom
Acompanhado com pão
Nossa Senhora!
Virgem Maria!
Agradeço a Santa Comida
Na mesa de todo dia
Café com pão
Como é bom!
Café é bom
Não sei rezar
Mas sei comer
Só sei pitar
Apitar
Palpitar
O coração
Café é bom
Acompanhado com pão
Nossa Senhora!
Virgem Maria!
Agradeço a Santa Comida
Na mesa de todo dia
Café com pão
Como é bom!
Negotium
Para impedir a fuga do Tempo
Amarre-o ao pé da cama
O Tempo não é meu
O Tempo não é seu
O Tempo não é nosso
Mas por ele fazemos qualquer negócio
Amarre-o ao pé da cama
O Tempo não é meu
O Tempo não é seu
O Tempo não é nosso
Mas por ele fazemos qualquer negócio
Tsunami
Ondas que vem
E que vão
(Apaga e apanha)
De uma só vez levou
Embora meu coração
(Vai e vem, movimento)
Salgado mar
De saudades
(O retorno às águas)
Agitado
Agigantado
Por uma Onda
(Enorme Onda)
E que vão
(Apaga e apanha)
De uma só vez levou
Embora meu coração
(Vai e vem, movimento)
Salgado mar
De saudades
(O retorno às águas)
Agitado
Agigantado
Por uma Onda
(Enorme Onda)
Aforismo
“Não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe”
Provérbio
Resistir:
Mas como tudo que é belo se acaba
(Menos a Arte, ela resiste).
Por isso, finita é a Vida.
Ridículos:
Podemos dar risada de tudo:
Até de nós mesmos!
Remédio:
Tudo será remédio
Qual antídoto para o Tédio?
A rima
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