sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Mês Cinéreo



Chega ao fim o cinzento mês de Fevereiro.
Deste mês resta apenas a cinza dos dias.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Ela bate a porta, capa preta, pede licença, entra: a Morte.


A vida é preparação para a Morte, não sei quem disse que não se brinca com a vida, pois um belo dia se morre. Pensamos estar longe da Morte, mas ela está mais perto do que se imagina. A Morte é certa, direta, sem rodeios, ao contrário, a vida: fugidia.  A Morte é um fim, a vida um meio.A Morte vem. A vida vai. vai e vem, vem e traz.  Gasta-se tempo: vida. A Morte é natural, tão natural quanto à vida. Ida. Indo. Vou.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O amor, é fogo!


Pergunto-me:
Por que o amor me queimou
todo por dentro por fora nos cantos e nos ecos?

Levante a Bandeira



Preparação para a Morte
 

A vida é um milagre.
Cada flor,
Com sua forma, sua cor, seu aroma,
Cada flor é um milagre.
Cada pássaro,
Com sua plumagem, seu vôo, seu canto,
Cada pássaro é um milagre.
O espaço, infinito,
O espaço é um milagre.
O tempo, infinito,
O tempo é um milagre.
A memória é um milagre.
A consciência é um milagre.
Tudo é milagre.
Tudo, menos a morte.
Bendita a morte,
que é o fim de todos os milagres! 

            [BANDEIRA, Manoel. Bandeira de bolso: uma antologia poética.  Preparação para a morte, p.146. Porto Alegre: L&PM, 2009.]







sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Um caso de Amor confesso


Estou apaixonado por ele, confesso! Não sei como isso aconteceu. Deve ter sido a convivência, passamos muito tempo juntos, um apoiando o outro. É isso! Não tem outra explicação. Acho que minha solidão juntou-se a solidão dele. E dia após dia, ao fim de cada encontro, eu já sentia vontades de vê-lo de novo. É, deve ter sido assim que me apaixonei, página por página. Eu estou apaixonado pelo livro!


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Dependente


Atenção!
O Ministério da Literatura adverte: a poesia vicia.

Não bebo
Não fumo
Não jogo

Meu único vício:
É a poesia

Seja de noite
Seja de dia

Minha heroína:
É a poesia

Sobre a Amizade


“O relacionamento de amor é um relacionamento vulnerável, não? E exige contínuas confirmações, e se não houver confirmações, há dúvidas, e se alguém passa uns dias e não sabe nada dela, se desespera. Por outro lado, alguém pode passar um ano sem saber nada de um amigo, e isso não tem nenhuma importância. A amizade, bem, a amizade não exige confidências, mas o amor sim. E o amor é um estado... de receio, é bastante incômodo, não? Bastante alarmante. Por outro lado, a amizade é um estado sereno, podemos ver ou não ver, saber ou não saber o que o outro faz.” (BORGES, Sobre a amizade e outros diálogos, p. 135)